quinta-feira, 3 de julho de 2014

Magra e Rica - O Fim e um novo começo




Há um ano e meio quando comecei a escrever no Magra e Rica, o que eu tinha em mente era algo realmente muito simples. Uma ferramenta terapêutica pra incentivar meu emagrecimento necessariamente urgente (motivos de saúde, entre outros). Sem pretensão de virar musa fitness, jornalista especialista em fitness, profeta de barrigas, bochechas ou qualquer parte do corpo negativas. Não me identificava com os ziilhões de #projetos. Só queria um lugar meu. Pra escrever e desopilar sobre esses processos nada simples. E compartilhar experiências com pessoas passando por caminhos semelhantes.

Do meu ponto de vista pessoal, o blog foi um sucesso. Desculpe a falta de modéstia mas é que foi! E é justamente por isso que ele acaba hoje. Contraditório, não? (Na realidade sabemos que ele já ta paradinho faz tempo, estou apenas colocando um marco definitivo, porque gosto de “closures”).
O blog não foi um sucesso apenas porque eu emagreci (se alguém quer muito saber, foram uns 14, 15 kilos, no período em que escrevia os posts). Essa foi só uma das consequências dele.

Talvez a maior conquista que ele me proporcionou foi ter lidado em voz alta com a compulsão alimentar. Mina, isso não é fácil. É claro que coloquei aqui só um tiquinho da minha vivência na terapia. Mesmo assim, foi extremamente curativo. As pessoas não falam sobre isso. Especialmente as pessoas gordas, obesas, comumente minimizam, ridicularizam, fazem piada a respeito do “comer demais” (pessoas magras também o fazem, mas aí é babaquisse mesmo e não fuga da realidade).

Compulsão é compulsão. Uma relação saudável com a comida é uma relação saudável com a comida.
Mas é importante lembrar que nem toda gorda/gordo é compulsivo. E nem todo comedor compulsivo é gordo/gorda. A anorexia e a bulimia são alguns exemplos de distúrbios alimentares que mostram bem como uma péssima relação com a comida também pode vir acompanhada de um corpo muito magro ou até todo marombadão.

Só que quando rola, a compulsão não é caso para stand up amador. É coisa séria. Que precisa ser tratada de frente, como qualquer outro caso de adicção ou dependência. Com o primeiro e dificílimo passo do reconhecimento; a auto-responsabilidade; o acolhimento familiar/social; ajuda profissional e baldes e baldes de coragem.

Enfim. Voltando. Além dessa questão, foram muitas outras que permearam os bastidores dos textos aqui do blog. Entre elas, a dificuldade em lidar com limites. O empoderamento do feminino em mim. O autoacolhimento com afeto. A reconquista da sensualidade. A superação. E muitos passos no caminho do respeito próprio.

Que me levaram por sua vez ao momento que estou hoje, que é toooooda uma outra história muito mais comprida, muito mais doida, muito mais profunda e mais revolucionária. Mas que tem TUDO a ver com a reconexão e cuidado com meu corpo, minha mente e seus sofrimentos. E esse cuidado, despertei em mim exatamente pouco antes deste blog começar. Então sim, ele faz muito parte dessa história, da minha história. E foi um p. dum golaço na minha vida. Mesmo pequenininho. Mesmo tento durado pouco. Mesmo com o nome irônico que ninguém – nunca, nunca, nunca - entendia (escola Sheldon de ironia – flopado total).

Então aqui me despeço. Para dizer novos ois em breve. Para continuar falando sobre corpo, kilos, beleza, respeito, padrões, amor-próprio, tudo isso que eu amo falar e muito mais, só que... muito mais. Ficar sem escrever não dá.

Muito obrigada pela companhia até aqui. Vocês fizeram toda a diferença. E sou muito, muito grata a cada uma/um que postou um recadinho, curtiu, compartilhou seus infortúnios, torceu, encorajou, mandou uma energia boa, abraço, beijo ou high-five. Recebam meu amor.

Me encontra lá no Extra & Ordinárias em breve? 

O convite está feito. Com afeto e com açúcar, não adoçante. Só pra variar.

A gente se vê por aí:

Um sorriso pra vocês.


Rubia

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

3a Fase - Done! Emagrecendo e comendo bem.

(Clique aqui pra ver no tamanho original)

Tirei as fotos, dei uma boa olhada e fiquei meio frustada... Nossa, parece que não emagreci nada, que broxante. Aí fui comparar todas as fotos desde o começo e... Cara, a diferença é muito grande! A frustração é até normal porque ainda estou muitos kilinhos distante do corpo que quero ter, mas quando paro e penso em todo o crescimento, autoconhecimento e autoacolhimento pessoal nesses seis meses, dou um tchauzinho pra frustração e fico mais do que grata. A mim mesma e a todas as pessoas que têm estado do meu lado como apoiadores nesse processo.

Sabe o que é o mais legal? É que meu jeito de emagrecer é comendo e comendo bem! De segunda a sexta fico na faixa das 1600 calorias, sábado e domingo é liberdade total, como o que quiser, com todo prazer do mundo. É claro que em alguns fins de semana eu consigo segurar mais a onda e fico mais tranquila. Mas tem uns em que rola uma panela inteira de brigadeiro (amor verdadeiro e eterno), bolo, sorvete, chocolate e vai... Sinto culpa, aí ligo o dane-se, aí sinto culpa de novo e aí ligo o dane-se de novo. Sempre acabo esses fins de semana fartos com a promessa de que no próximo vou me controlar mais. `As vezes cumpro a promessa, `as vezes não.

Sigo vários blogs de meninas que tem um estilo de emagrecimento bem diferente do meu. Que não liberam geral nos finais de semana, e permanecem na dieta em sábados, domingos e feriados bancários. Se eu fizesse isso provavelmente teria emagrecido o dobro do que emagreci. Mas comer é bom demais, faz parte da vida e quero que continue fazendo, e não vou me privar mais do que o necessário `a minha saúde e bem-estar.

Em algumas semanas cheguei a perder mais de 2kilos durante a semana, imagina isso! Mas o fim de semana vem e leva parte desse resultado. Dou três passos pra frente e um pra trás. Mas, quer saber? To feliz assim. Emagrecendo dois kilos por mês, com o mínimo de neurose possível, aproveitando a vida, aprendendo a comer melhor, a me cuidar por inteiro e dando um passo de cada vez.

No infográfico falei superficialmente das descobertas que tenho feito na terapia. É um assunto bom que merece um post só pra ele. Hoje é o dia de comemorar o fim da 3a Fase e os primeiros dez kilos deixados pra trás! Tô feliz!
o/

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Odeia contar calorias? Conte as porções!



Faço dietas desde os 15 anos, nunca fui de dieta-maluca, era sempre a dieta dos pontos ou reeducação alimentar com acompanhamento da endócrino - ainda que logo depois de emagrecer desaprendesse tudo de novo, porque como sempre falo, para lidar com a compulsão alimentar é preciso um processo de dentro pra fora. Mas, entendi muito cedo que a equação da perda de peso é muito simples: gastar + calorias do que como é = perda de peso.

Só que já há uns 5 anos não consigo ficar contando caloria. Sinceramente, acho um porre sem fim! E uma das coisas mais legais que aprendi com a nutricionista foi contar as porções. É claro que cada porção tem um limite de calorias, então você acaba tendo que indiretamente calcular essas coisinhas mas, com o tempo, você aprende quanto há em cada porção de cada tipo de alimento e vai ficando super automático! Aprender o tamanho das porções e como distribui-las no meu dia tem sido um dos meus maiores aliados nesses seis meses de emagrecimento. Muita gente me pergunta como fiz pra me livrar desses primeiros 10 kilos, e essa é uma das dicas mais eficientes que poderia dar: Planejar, controlar e negociar as porções!

Reeducação alimentar é uma coisa muito pessoal e cada um precisa encontrar com a nutricionista a melhor dieta pra si, até pra não comer menos do que precisa e acabar não perdendo peso. Mas, só pra vocês terem uma idéia do que falei sobre as porções vou colocar aqui embaixo um resumão da minha dieta. Ainda que eu mude uma coisa ou outra, de segunda a sexta é essa a minha referência pra comer.

RESUMÃO DA MINHA DIETA
3 porções de frutas – Até 75 calorias cada porção
3 porções de leite ou substitutos* - Até 120 calorias cada
6 ou 7 porções de carboidrato** - Até 60 calorias cada
4 porções de hortaliças cruas ou cozidas – Até 60 calorias cada
3 porções de carnes ou leguminosas – Até 115 calorias cada

*Leite desnatado ou semidesnatado. Substitutos: Iogurtes, queijo branco, polenguinho ou requeijão light.
** Incluindo uma porção de sobremesa de até 60 calorias, inclusive chocolate. > Isso foi muito bom pro meu psicológico – saber que eu POSSO COMER DOCE TODO DIA ajudou muito a lidar com a compulsão por eles. 

domingo, 7 de julho de 2013

No Estilo!: Como fazer um colar peter pan de pérolas

Foto: Yesterday's Sweetheart
Conhece o colar peter pan? É esse aí de cima! Imita uma gola de camisa e dá um tchãns vintage `a qualquer produção. No segundo episódio dos tutoriais com feltro, você aprende como fazer o colar com pérolas e cola quente! Facim, facim!

Ignore essa minha cara bizarra no frame abaixo e... mãos `a obra! :)


No Estilo!: Como fazer um colar peter pan de pérolas

terça-feira, 25 de junho de 2013

Entre a bunda e o cérebro

Primeiro dia de academia. A treinadora, Aline, está perguntando: "-...E quais são seus objetivos?" Começo com os mais fáceis de elocubrar: "-Preciso fortalecer o joelho, a coluna..." Ela acena com a cabeça. "- Emagrecer, aumentar a massa muscular, e..." Ela, olhando bem no meu olho: -"E?..."
Eu fico quieta. "-Ah... acho que é isso." "-Mais alguma coisa? Mais algum objetivo?" Eu arrumo culhões de algum lugar: "-Ah, eu queria... Aumentar a minha bunda, hehe." Ela não corresponde o risinho nervoso, pelo contrário, segue me olhando bem séria e balançando a cabeça: "-Ahãm..." Eu continuo desajeitadamente: "-É que eu nunca tive muita bunda mesmo... E ela completa: "-E aí você começa a emagrecer e diminui ainda mais né?" Eu: "-Isso!" Ela fecha o assunto e anota na ficha: "-Legal, muito bom."

A naturalidade com que ela tratou meu pedido só expôs o quanto o meu constrangimento era irracional, especialmente naquela ocasião. Pela lógica: Academia é esse lugar que a gente vai pra fortalecer e melhorar o quê? O corpo, caramba. E a bunda faz parte do quê? Do corpo, caramba! Mas eu, eu, eeeeu? podia querer uma bunda mais "bonita"? (Pros MEUS padrões né gente, cada um com os seus).

Você já deve ter ouvido essa história: Gordinha nerd, que odiava as aulas de educação física e sempre teve uma relação tumultuada com o espelho. Eu era a garota dos livros, do pensamento, do conceito, que amava as ideias, não a quadra de esportes. Esse era o meu mundo. E é claro que sempre olhei com uma certa superioridade misturada com despeito pras minas consideradas gostosas pela maioria. As moças saradas que tem no corpo seu cartão de visitas e gostam de mostrá-lo com orgulho sempre que podem.

E, além de nerd, eu sempre fui o que as pessoas chamam de "crente" (não gosto, prefiro "cristã"). Cresci numa família de pastores batistas, me converti por decisão própria e fiz da minha vida espiritual uma prioridade por décadas, negligenciando outras partes também importantes da vida. Liderei grupos de adolescentes e jovens, fui até missionária voluntária durante um ano depois do Ensino Médio e dei aulas numa escola rural no interior do Rio Grande do Sul. Aí aos 28 anos mudei meu rumo completamente. Saí de um tipo de bolha ou gueto cultural evangélico em que vivia e, por uma série de motivos, rompi com a igreja institucionalizada*. Hoje tenho minha fé, mais forte que nunca, de um jeito muito mais livre, leve e orgânico, mas a educação tradicional cristã deixou suas marcas. Cresci com esse pensamento equivocado, ainda que inconsciente por muito tempo, de que tudo que diz respeito ao corpo, ao material, ao sensual, era uma coisa menor, menos importante. 

Aí você junta tudo isso: o intelectual e o espiritual super valorizados (ainda que pareçam contraditórios, no meu caso sempre caminharam juntos) e o corpo, coitado do bichinho, de escanteio. É claro que isso foi mudando com o tempo. ~Cresci e virei mulher, tive que encarar com muita fé.~ Emagreci várias vezes e a verdade é que nunca foi só pela saúde, queria ficar bonita pohan, me sentir atraente, mas - e  esse é um grande mas - nunca assumi isso em alto e bom som, com convição. 

Até agora. Que a vida me trouxe para esse meu momento. Percebi o quanto o sobrepeso estava sufocando quem eu realmente era e como estava me adoecendo fisica e emocionalmente. Decidi mudar minha vida e começar um processo de emagrecimento de gente grande, de dentro pra fora. Eliminando um quilo de cada vez, com planejamento e consciência, nada de afobação. E meu corpo, que antes só conseguia minha atenção  dando piripaque, produzindo dor, começou a se tornar um verdadeiro protagonista na minha existência. Tenho cuidado dele como nunca antes, com afeto. Nesse processo enxerguei em mim uma sensualidade poderosa que precisa respirar, existir de fato, acontecer. E estou amando isso. 

Afinal de contas parece que não sou tão diferente das gostosas que tantas vezes olhei com lasers feministas ou pseudo-feministas. A verdade é que não tenho nem de longe todas as respostas que queria ter nesse momento sobre 'quem eu sou', mas... "perder-se também é caminho" não é?

Enquanto isso, minha bunda e meu cérebro finalmente entenderam que estão do mesmo lado. 
...Tudo sou eu. 


Vou ali malhar a poupança, bjs.


* Hoje, faço parte de um coletivo, chamado Estilingue, que reúne artistas, comunicadores e outros profissionais cristãos (ou não cristãos, ateus participam, todo mundo é bem vindo), mas tenho muitos amigos admiráveis que continuam participando das igrejas institucionalizadas - e os respeito muito. Cada um na sua e o respeito sobretudo.