sexta-feira, 5 de abril de 2013

Novo começo, começo novo



                                                                                       Fabio Q

Quando você percebe que não só quer mudar sua vida, mas que está, finalmente, pronta pra isso. Quando não há mais um descompasso entre o que você gostaria de querer e o que você quer de fato. Parece que quem você é e quem você quer ser começam se alinhar. E, depois de tanta sombra, há esperança.

Em julho de 2012, eu comemorava cinco quilos a menos, conquistados com reeducação alimentar (RA) e atividade física (AF) desde fevereiro. Estava bem feliz. Então bati o mesmo joelho pela segunda vez e descobri que tinha desgaste nas cartilagens (uma condição agravada pelo sobrepeso). Até o edema melhorar tive que parar a natação e academia, o que me desastabilizou bastante. Em um mês acabei deixando pra lá a reeducação alimentar e voltei aos velhos hábitos. E fomos levando a culpa como dava.
Em julho também fiz exames pedidos pela endócrino. Mas o joelho tinha toda minha atenção e só retornei `a medica em novembro. Estava com hipotiroidismo. Sabe-se  desde quando. Enfim, a saúde no geral era um caso triste que nem história de tia hipocondríaca (no 'Calendário de emagrecimento' falo mais sobre isso).

E foi aí que começou uma tomada de consciência inédita nesse efeito sanfona em grande escala que é minha vida de gordinha – agora, gorda (entrei na obesidade ano passado).
Porque, amigo e amiga dona de casa, enrolei trinta dias para começar a tomar o remédio da tiróide. Isso mesmo, um mês inteirinho. E quando alguém me perguntou porquê, não soube nem quis responder. Estava no automático, me deixa em paz. Mas paz é que não tinha. Será que o hipotiroidismo finalmente me dava uma boa desculpa fisiológica para continuar procrastinando meu emagrecimento e cuidar de mim? Será?

Perguntas. Essas coisinhas poderosas. Especialmente quando feitas pra dentro. Não sei se foram os trinta anos ou  se foi só a insatisfação passiva que deu no saco. Só sei que elas vieram, mais uma vez, como um trem na minha direção…
...Por quê será que afinal de contas, você não quer, honestamente, emagrecer, Rúbia? Apesar de, honestamente, desejar tanto querer?
...Por quê cada vez que você emagreceu (não foram poucas), deu um reset no processo antes de chegar ao objetivo final e voltou a engordar ainda mais, num efeito rebote sinistro?
...Por quê você está procrastinando tanta coisa na sua vida? Porque, vamos lá, não é só no emagrecimento. Você procrastina você. Guarda sua coleção de medos na gaveta e segue se sabotando dia a dia.


E então era isso. Eu tinha medo de emagrecer. De ser outra, de ser eu.
Só que chega uma hora que a gente cansa de ser vítima. Inclusive da gente mesmo.
Em janeiro desse ano comecei a fazer terapia. Não apenas pra lidar com a dificuldade de emagrecer, mas com outras limitações pessoais que estavam me incomodando.
E pela primeiríssima vez, meu processo de emagrecimento se iniciou sem dietas ou planos de exercícios. 
Comecei a emagrecer pelo coração. E pela cabeça.
E decidi aprender essa coisa de gente crescida, que é dar um passo de cada vez.
(E, é claro, contar tudo nesse querido blog.
Me acompanha?)