Quando você percebe que não só quer mudar sua vida, mas que está, finalmente, pronta pra isso. Quando não há mais um descompasso entre o que você gostaria de querer e o que você quer de fato. Parece que quem você é e quem você quer ser começam se alinhar. E, depois de tanta sombra, há esperança.
Em julho de 2012, eu comemorava cinco
quilos a menos, conquistados com reeducação alimentar (RA) e atividade física
(AF) desde fevereiro. Estava bem feliz. Então bati o mesmo joelho pela segunda
vez e descobri que tinha desgaste nas cartilagens (uma condição agravada pelo
sobrepeso). Até o edema melhorar tive que parar a natação e academia, o que me
desastabilizou bastante. Em um mês acabei deixando pra lá a reeducação alimentar
e voltei aos velhos hábitos. E fomos levando a culpa como dava.
Em julho também fiz exames pedidos pela
endócrino. Mas o joelho tinha toda minha atenção e só retornei `a medica em
novembro. Estava com hipotiroidismo. Sabe-se desde quando. Enfim, a saúde no geral era um caso triste que
nem história de tia hipocondríaca (no 'Calendário de emagrecimento' falo mais
sobre isso).
E foi aí que começou uma tomada de
consciência inédita nesse efeito sanfona em grande escala que é minha vida de
gordinha – agora, gorda (entrei na obesidade ano passado).
Porque, amigo e amiga dona de casa, enrolei
trinta dias para começar a tomar o remédio da tiróide. Isso mesmo, um mês
inteirinho. E quando alguém me perguntou porquê, não soube nem quis responder. Estava no automático, me deixa em paz. Mas
paz é que não tinha. Será que o hipotiroidismo finalmente me dava uma boa
desculpa fisiológica para continuar procrastinando meu emagrecimento e cuidar
de mim? Será?
Perguntas. Essas coisinhas poderosas. Especialmente
quando feitas pra dentro. Não sei se foram os trinta anos ou se foi só a
insatisfação passiva que deu no saco. Só sei que elas vieram, mais uma vez,
como um trem na minha direção…
...Por quê
será que afinal de contas, você não quer, honestamente, emagrecer, Rúbia? Apesar
de, honestamente, desejar tanto querer?
...Por quê cada vez que você emagreceu (não foram poucas), deu um reset no processo antes de chegar ao objetivo final e voltou a engordar ainda mais, num efeito rebote sinistro?
...Por quê você está procrastinando tanta coisa na sua vida? Porque, vamos lá, não é só no emagrecimento. Você procrastina você. Guarda sua coleção de medos na gaveta e segue se sabotando dia a dia.
...Por quê cada vez que você emagreceu (não foram poucas), deu um reset no processo antes de chegar ao objetivo final e voltou a engordar ainda mais, num efeito rebote sinistro?
...Por quê você está procrastinando tanta coisa na sua vida? Porque, vamos lá, não é só no emagrecimento. Você procrastina você. Guarda sua coleção de medos na gaveta e segue se sabotando dia a dia.
E então era isso. Eu tinha medo de
emagrecer. De ser outra, de ser eu.
Só que chega uma hora que a gente cansa de ser vítima. Inclusive da gente mesmo.
Só que chega uma hora que a gente cansa de ser vítima. Inclusive da gente mesmo.
Em janeiro desse ano comecei a fazer
terapia. Não apenas pra lidar com a dificuldade de emagrecer, mas com outras
limitações pessoais que estavam me incomodando.
E pela primeiríssima vez, meu
processo de emagrecimento se iniciou sem dietas ou planos de exercícios.
Comecei
a emagrecer pelo coração. E pela cabeça.
E decidi aprender essa coisa de gente
crescida, que é dar um passo de cada vez.
(E, é claro, contar tudo nesse querido blog.
Me acompanha?)
(E, é claro, contar tudo nesse querido blog.
Me acompanha?)