sexta-feira, 6 de maio de 2011

Ch-ch-ch-ch-changes...

David Bowie + kids = amor

Ontem, no avião, vindo para São Paulo, eu fiquei pensando em algumas coisas que quero fazer diferente daqui pra frente. Há alguns anos não faço mais resoluções de ano novo, mas hoje senti vontade de fazer algumas -digamos- propostas, pós-férias. Parece que mudar muitas é o único jeito de continuarmos nós mesmos. 

Tem também aquela frase, do Einstein acho (preguiça de googar) que diz que insanidade é esperar resultados diferentes fazendo sempre as mesmas coisas, ou algo do tipo. Realmente, a experiência me convenceu de que sonhar, desejar e planejar não fazem nada acontecer (como já bem nos ensinou aquela musiquinha do filme "O Casamento do Meu Melhor amigo"). Para trazer nem que seja um pouco do desejado para a realidade, você tem que agir, é claro. Invejo as mulheres pragmáticas, para quem isso sempre foi óbvio. Pra mim, é uma lição em curso.
Fato é que algumas coisas em mim me incomodam há anos. O excesso de peso é uma delas. Já fiz diversas auto-análises pra tentar entender porque emagrecer é tão difícil. Sei que milhares de mulheres tem a mesma dificuldade, mas isso não me faz sentir menos frustrada e decepcionada com minha falta de disciplina, equilíbrio e auto-controle. Entendo que minha genética trabalha totalmente contra meu desejo de ser magra. Sou gordinha desde bebê. Por ganhar peso com muita facilidade (e ser filha de pai e mãe magros), aos 4 anos, minha mãe me levou ao médico ver se havia algum problema, ele disse que a questão era o metabolismo mesmo, e que pra eu ser uma criança ou uma adulta magra, teria que fazer atividade física todos os dias e cuidar da alimentação para sempre. Vivo no esquema engorda e emagrece há anos, mas nunca fiquei realmente magra, sem sobrepeso. Sei que vai ser sempre difícil, mas também sei que é possível. Toda vez que vejo a Cristiana Oliveira na TV me lembro disso.
Sendo honesta, sei muito bem que simplificando a bagaça continuo gordinha mesmo porque adoro comer e morro de preguiça de exercícios físicos. Gosto muito, mas muito mesmo da sensação "entre-dietas" de não ter que me policiar sobre quantas calorias tem isso ou aquilo, de comer o que tenho vontade, sem me preocupar. Mas junto com esse prazer sempre há uma quantia de culpa, e de verdade? Acaba estragando uma coisa que devia ser só gostosa e ponto. 
Não estou falando de fazer dietas radicais nem de ficar magrela, não é a minha praia. 
Não piro na estética da magreza, pelo contrário. Estou falando de estar dentro do meu peso, de não me preocupar com minha saúde, de me sentir `a vontade no meu corpo, de não virar o rosto quando me vejo no vídeo, de fazer sexo sem depender da meia luz como ajudante, de não me sentir deprimida toda vez que tenho que comprar um jeans, de ter uma alimentação legal, disposição e sobretudo... De sentir aquele orgulho que sinto sempre que estou me cuidando, com o carinho que mereço.
Sei que muitas meninas se sentem bem sendo gordinhas, e acho isso o máximo. Eu acho que independente do seu peso, você tem mesmo que se aceitar e se curtir. Não ligo de ter alguns quilos a mais do peso recomendado pra minha altura, mas ligo muito por estar com 25 kilos a mais do que o peso recomendado pra minha altura. Especialmente quando esses kilos estão atrapalhando meu desempenho profissional e afetando meu respeito próprio... Sinto que passou da hora de agir, sabe? 
Nem sei porque me deu tanta vontade de escrever isso aqui. Não quero e não vou deixar que isso se torne nem de longe algo que eu faça pensando nos outros, no que vão pensar, esperar, cobrar. Creio que esse é o tipo de motivação muito errada, que dá muito errado. Emagrecer, me cuidar, tem que ser algo que eu faça pra mim. Uma jornada bem pessoal. Mas, é claaaro, o bom e velho apoio moral das amigas é mais do que bem vindo, sempre!
É claro que outras coisas importantes entraram na minha listinha pós-férias. Sair mais pra dançar, inventar mais na decoracão da nossa casa, ouvir novas bandas, investir mais na minha espiritualidade, voltar a estudar, quem sabe começar o vlog que quero fazer há tempos. 
Mas, de verdade, emagrecer é a mudança que mais desejo hoje pra mim. 
E ontem no metrô, a caminho de casa, com tudo isso rolando na cachola, me deparei com um poema do Fernando Pessoa, que veio como um daqueles raros atestados cósmicos, sabe? Que meio que sussurram: "É isso aí mesmo, garota." E bem presunçosamente você sente como se aquilo tivesse sido escrito para você ler, naquele ano, naquele dia, naquele instante. Porque, de um jeito meio incrível, naquele momento, faz todo sentido.
"Para ser grande, sê inteiro: nada
         Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
          No mínimo que fazes. 
Assim em cada lago a lua toda
           Brilha, porque alta vive." 
(Fernando Pessoa)

Beijos